No mar revolto de lençóis mexidos pela ânsia de dormir,
Deixo meu suor misturado ao amor de instantes atrás.
Nada me comove a não ser a dor dos que, mesmo na rua, dormem.
Penso, penso, penso...
Seguindo a linha tortuosa do devaneio, chego a lugar nenhum.
Lembro, esqueço, lembro, esqueço
Initerruptamente noite adentro.
Como um interruptor de idéias sigo oscilando.
E de tanto pensar, esqueço de existir.
à minha vó Cleonice que não cultivava uma relação amistosa com o sono. Dormia pouco, acordava cedo. Seguimos aqui vó. Que os sonhos venham mais doces.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
As Lágrimas de Mariana
As lágrimas de Mariana são qualquer coisa volátil
Que evaporam e chovem em mim.
Teu sal é lançado sobre a terra do meu peito
E me remetem ao vazio da solidão.
A solidão de quem perde o que já não era seu.
O meu andar trôpego conduz-me a lugar nenhum,
Já não presto mais atenção no que meu irmão ouve.
Nem rego as plantas, nem olho pro céu...
Concentro-me em frestas, vãos, edifícios e suas antenas,
em fios de cobre mais velhos que eu.
Não conduzo. Sou tragado pela dor de não ser mais dois.
Viver? Viver é suportar a existência.
Que evaporam e chovem em mim.
Teu sal é lançado sobre a terra do meu peito
E me remetem ao vazio da solidão.
A solidão de quem perde o que já não era seu.
O meu andar trôpego conduz-me a lugar nenhum,
Já não presto mais atenção no que meu irmão ouve.
Nem rego as plantas, nem olho pro céu...
Concentro-me em frestas, vãos, edifícios e suas antenas,
em fios de cobre mais velhos que eu.
Não conduzo. Sou tragado pela dor de não ser mais dois.
Viver? Viver é suportar a existência.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Blues do elevador
Ora quem é que não sabe
O que é se sentir sozinho
Mais sozinho que um elevador vazio
Achando a vida tão chata
Achando a vida mais chata
Do que um cantor de soul
Sou eu quem te refresca a memória
Quando te esqueces de regar as plantas
E de dependurar as roupas brancas no varal
Só faz milagres quem crê que faz milagres
Como transformar lágrima em canção
Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mais insistem em catar as migalhas do chão
Sei rir mostrando os dentes
E a língua afiada
Mais cortante que um velho blues
Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito eu nada sinto
Como dizia Madalena
Replicando os fariseus
Quem dá aos pobres empresta
A deus
Zeca Baleiro
O que é se sentir sozinho
Mais sozinho que um elevador vazio
Achando a vida tão chata
Achando a vida mais chata
Do que um cantor de soul
Sou eu quem te refresca a memória
Quando te esqueces de regar as plantas
E de dependurar as roupas brancas no varal
Só faz milagres quem crê que faz milagres
Como transformar lágrima em canção
Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mais insistem em catar as migalhas do chão
Sei rir mostrando os dentes
E a língua afiada
Mais cortante que um velho blues
Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto eu sinto muito eu nada sinto
Como dizia Madalena
Replicando os fariseus
Quem dá aos pobres empresta
A deus
Zeca Baleiro
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Saudade
ai ai vai ver é só você querer
distante imaginar
caberia a quem dizer
amor eu vivo tão sozinho de saudade
Marcelo Camelo
In: sou
Não sei pq a harmonia dessa música me lembra muito a trilha sonora do filme Cinema Paradiso, que ficou por conta do grande Ennio Morricone. Não que se pareçam assim, no sentido estrito da palavra, mas dialogam de alguma forma (pelo menos para mim).
distante imaginar
caberia a quem dizer
amor eu vivo tão sozinho de saudade
Marcelo Camelo
In: sou
Não sei pq a harmonia dessa música me lembra muito a trilha sonora do filme Cinema Paradiso, que ficou por conta do grande Ennio Morricone. Não que se pareçam assim, no sentido estrito da palavra, mas dialogam de alguma forma (pelo menos para mim).
terça-feira, 14 de julho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
batismo de sangue
Quando os regatos límpidos do meu ser secarem,
minha alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes.
Lá onde o ódio não tem teto para repousar...
Nos dias primaveris, colherei flores para o meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.
Batismo de Sangue, filme dirigido por Helvécio Ratton, inspirado no livro homônimo de Frei Betto. O trecho acima, ao que me parece, é atribuído a Frei Tito, religioso franciscano torturado durante a ditadura militar no Brasil. No filme, a interpretação vigorosa e comovente de Caio Blat nos faz viajar pelo universo angustiado de um ser humano vítima da tortura. Vale à pena assistir.
Dedico este post ao broder Samuel Neves.
minha alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes.
Lá onde o ódio não tem teto para repousar...
Nos dias primaveris, colherei flores para o meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.
Batismo de Sangue, filme dirigido por Helvécio Ratton, inspirado no livro homônimo de Frei Betto. O trecho acima, ao que me parece, é atribuído a Frei Tito, religioso franciscano torturado durante a ditadura militar no Brasil. No filme, a interpretação vigorosa e comovente de Caio Blat nos faz viajar pelo universo angustiado de um ser humano vítima da tortura. Vale à pena assistir.
Dedico este post ao broder Samuel Neves.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
É pior do que se entrevar...
A saudade é uma das vicissitudes do amor
É preciso lembrar pra esquecer
É preciso peito pra guardar a dor
De tudo que foi derramado
amado
amado
amado
no chão que pisastes, com lâminas em teus pés
és?
ainda és...
Quem me faz lembrar
que na vida somos sós.
fim da chama é a cinza.
fim da vida é esperar.
Um eu que queria ser nós.
Um eco que queria saber gritar.
É preciso lembrar pra esquecer
É preciso peito pra guardar a dor
De tudo que foi derramado
amado
amado
amado
no chão que pisastes, com lâminas em teus pés
és?
ainda és...
Quem me faz lembrar
que na vida somos sós.
fim da chama é a cinza.
fim da vida é esperar.
Um eu que queria ser nós.
Um eco que queria saber gritar.
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